O herdeiro da tragédia
Era inverno em Dantsmar, litoral sul de Dantsen, quando nasceu Oliver – o segundo filho da família Deutsmar. A neve encobria o telhado das casas naquela noite escura, com ventos sinistros que pareciam cantar o pressagio do futuro maldito da criança que acabara de nascer. Se eles soubessem falar a língua dos ventos talvez tivessem evitado toda a tragédia que sofreram.
Halder, o patriarca da família estava com idade avançada, e desgastado por seus deveres como chefe da guarda pessoal do Barão Tenemir de Dantsmar. Naquele mesmo dia entregou a seu filho mais velho a função que tinha na corte. Lothar aceitou orgulhoso o posto de seu pai, que morreria 18 anos mais tarde por causas naturais decorrentes da idade avançada. A morte do avô teve impacto sobre o pequeno Oliver, que com ele vivia em uma colina junto ao mar, de onde era possível ser vista toda a cidade e o porto. O jovem retornou para morar com seus pais, mas jamais esqueceu dos tempos que passou junto com seu avô. Halder havia ensinado tudo o que ele sabia, caçar, lutar, escrever, ler e como portar-se educadamente. Apesar de visitar sua família com freqüência, nunca teve muita intimidade com eles, ao menos agora ele tinha a chance de recuperar o tempo perdido.
Rapidamente aproximou-se de seus pais e irmãos, e seu grande porte físico tornou fácil que seu pai conseguisse para ele um posto na guarda real. O treinamento que o avô lhe deu provou-se valioso, e Oliver concluiu o período de aprimoramento militar em poucas semanas. Sua vida era boa, vinha de uma família promissora da baixa nobreza, seu pai era um homem importante, sua mãe era afetuosa, e era amigo dos seus irmãos. Eis que o destino revela o que estava reservado a ele...
O barão de Dantsmar tinha apenas 2 filhos, pois, sua esposa morreu no seu segundo parto ainda jovem e ele não se casou novamente. Seu filho herdeiro era Aleordon - um guerreiro bravo, porém ingênuo – e Eleonor, uma jovem audaz que costumava desafiar o pai. Sua audácia trouxe a ruína para a nobreza de Dantsmar.
Durante uma festa na corte real de Dantsen - da qual Lothar estava presente escoltando o barão - Eleanor conheceu um homem chamado Cassimir, e por ele encantou-se. Lothar encontrou a jovem nos jardins do palácio real trocando carícias com o homem, a quem reconheceu imediatamente. Aquele era Cassimir que recentemente havia herdado o título de conde de Veolam, cujo à família era inimiga declarada de Dantsmar. Lothar foi percebido pelos amantes e retirou-se em busca de seu senhor para contar-lhe. Tenemir ardeu em ódio, mas controlou-se à presença do rei, e esperou o retorno aos seus domínios para ter com sua filha.
Após seu regresso ele impediu sua filha de deixar os portões do castelo e de ser visitada por estranhos. Ao conde de Veolam enviou uma carta ofensiva de próprio punho, na qual transpareceu tanta indignação que deve ter deixado seu inimigo muito satisfeito. Sua filha viu no ocorrido uma nova maneira de atormentá-lo, e seu inimigo um meio de atacá-lo. Os dois passaram a corresponder-se secretamente, e com ajudo de guardas e servos corruptos conseguiam se encontrar.
O destino desgraçadamente colocou Lothar entre os dois amantes, e durante uma inspeção de rotina encontrou uma carta endereçada a Eleanor que dizia:
“É chegada a hora de nos unirmos para sempre, é chegada a hora de concluirmos nossos planos, é chegada a hora dele. Seu pai deve morrer esta noite.
Naquela noite houve uma comemoração pelo aniversário de cinqüenta anos do barão. Apesar de seus problemas familiares Tenemir estava feliz, ironicamente bebia como se fosse a ultima vez de sua vida... e foi. Durante o dia Oliver teve um estranho pressentimento a respeito da vida do barão e contou a seu pai, foi uma visão turva que confundiu ambos. Lothar era um homem supersticioso e ficou apreensivo. Ele contou ao barão que talvez sua vida corresse e recomendou várias vezes que não bebesse tanto. Na última Tenemir ficou enfurecido, e já abalado pela bebida ofendeu Lothar diante de todos.
Lothar saiu em direção dos aposentos do barão e não encontrou os dois guardas que deveriam estar na porta. O quarto estava destrancado, e a silhueta de Tenemir era percebida entre as sombras. Lothar aproxima-se e depara-se com muito sangue nos lençóis, e vê seu senhor com uma profunda perfuração no peito. No chão ele percebe uma adaga com o símbolo da guarda pessoal do barão, aproximou-se e apanhou o objeto. Neste exato instante Eleanor aparece dentre as sobras do quarto e grita pelos guardas, que chegam rapidamente. Fato estranho já que não estavam em seus postos.
A jovem realtou aos guardas que Lothar havia apunhalado seu pai, e ele tentou em vão explicar-se. Mais e mais guardas chegaram, e por fim surgiu Aleordon, que viu a briga de seu pai com o chefe da guarda pessoal sem entender o que ocorreu realmente. Sua irmã lhe contou os “fatos” e tomado por uma raiva muito grande mandou Lothar para o calabouço. O pai de Oliver não reagiu por acreditar que sua honra seria reconhecida, e o mau entendido desfeito. Percebeu que em sua pressa acabou esquecendo a carta no local onde havia encontrado, não tendo como provar seu testemunho.
Dois dias após Aleordon assume o título e a regência de Dantsmar, para uma semana após amanhecer morto por causas desconhecidas. Eleanor assume toma o lugar de seu irmão, e casasse com Cassimir de Veolam. Seu primeiro ato como baronesa foi ordenar a execução de Lothar sob a acusação de ter matado seu pai. Lothar foi decapitado em praça pública, seus filhos foram considerados uma ameaça à corte, assim, Jens, Oliver e Marc passaram a ser caçados.
Marc que àquela época tinha 15 anos refugiou-se entre seus tios irmãos de sua mãe. Oliver fugiu para os bosques e lá ficou por uma semana, e amigos da família levavam-lhe provisões. No mesmo dia em que foi ordenada a prisão, Jens foi encontrado por guardas em uma taverna local, enquanto bebia e lamentava o que havia acontecido ao seu pai. Os guardas tentaram prendê-lo e ele resistiu. Foi uma luta injusta, eram 5 guardas e Jens derrotou três deles, ferindo dois mortalmente. Tomado pelo álcool, pela fadiga do combate, e pelos sucessivos golpes que o acertavam Jens caiu inconsciente e foi preso. A morte dos guardas serviu como justificativa para a nova baronesa afirmar a ameaça que ele significava. No dia seguinte foi também executado diante da população de Dantsmar. Marc foi finalmente encontrado e morto pelos guardas enquanto procurava por Oliver nos bosques para de contar-lhe as más noticias. Tacine, mãe de Oliver ao saber da nova desgraça que havia tomado sua família não suportou e suicidou-se.
Tomado por sentimentos confusos que oscilavam entre raiva, ódio e medo Oliver foge em direção ao norte de Dantsen. Neste mesmo tempo Verrogar declarava guerra a seu reino. A guerra trouxe uma nova oportunidade para o jovem, que ainda carregava o peso da morte de sua família. Com medo de ser reconhecido por guardas, ele alistou-se em uma das guildas de mercenários que se instalaram na região, evitando o exército real. Nas primeiras semanas de combate sua guilda foi esmagada combatendo os soldados de Verrogar, poucos além dele sobreviveram. Mas, a guerra era a única casa que ele possuía, assim alistou-se em uma nova guilda dentre as dezenas que se instalavam no local.
Oliver tornou-se próximo do líder da sua nova guilda, o veterano Rober, e em pouco tempo ficaram amigos. Passado um ano e meio, Roger morreu em combate e a guilda que já possuía diversas baixas dispersou-se. Oliver decide então migrar novamente. Foi para mais ao norte parando por diversos locais, onde trabalhava como mercenário ou leão de chácara em estalagens e tavernas. Finalmente fixou residência em Calco. O clima litorâneo como o de sua terra natal, embora mais quente que as geladas águas do litoral sul de Dantsen, fez com que se sentisse mais adaptado. Ele construiu novas amizades e superou as dificuldades que passou, embora as cicatrizes persistam. No local há uma colina muito semelhante àquela em que morava com seu avô, de onde pode ver a cidade e o mar. Oliver gosta de ir até lá para lembrar-se de como foi feliz um dia. Lembrasse de como fugiu abandonando o dever de honrar sua família. Como seu avô foi devoto de Crisagom, e nada era para ele mais importante que a honra. Os anos de sofrimento mostraram um caminho novo, a vingança é agora a coisa mais importante. O longo período de batalhas ensinou-lhe o caminho de Blator, onde só os bravos podem passar. Ele tem fé que este novo caminho o levará para seu destino, ou a vingança ou a morte honrada.
É como se ele fosse capaz de voltar ao passado, quando fugiu ao invés de vingar sua família. Agora Blator deu a este pobre desgraçado uma nova chance, e ele não vai desperdiçá-la.
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
domingo, fevereiro 19, 2006
Diário - O Casamento
Uma grande festa ocorreu em Abrasil, e os personagens foram convidados de honra, pois fizeram a escolta da noiva até a cidade de Tória. No meio da festa houve uma briga com um grupo de arruaceiros verrogari. No dia seguinte, os personagens iniciaram sua viagem atráves da região montanhosa que separa Abrasil de Tória. Uma forte tempestade assola o 9º dia, estranhas pegadas são encontradas. A forte tempestade leva os personagens a procurarem uma caverna para passar a noite. A chuva se intensifica e começa uma avalanche. A estrada fica bloqueada e o único acesso é um caminho que leva até o baronato de Rimbard. Ao chegarem a fortaleza do castelo, é descoberto que há orcos no local. Várias batalhas foram travadas com os orcos e o barão, sua filha e seus serviçais foram feitos prisioneiros. Os personagem encontram o lider orco, armado com uma grande espada. Os personagens tentam salvar o filho do barão, que foi levado pela correnteza do rio subterrâneo. Misteriosamente, o filho do barão se tornou um zumbi. Rimbald recompensa os personagens. Um orco é encontrado e interrogado (sabia falar Malês) e disse que seu bando migrou para estas regiões para fugir do "terror vermelho" das montanhas. Ao chegarem à Tória os personagens recebem diversos presentes (porcos, galinhas, roupas, livros, etc.) e trocam por dinheiro. Na festa de casamento os personagens são observados por um sacerdote de Crizagom.
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
O retorno dos veteranos, velhos jogadores, velho mestre, novos ânimos...
É muito bom estar devolta, principalmente jogando Tagmar. A campanha de Greyhawk também já está preparada. Bom... é um retorno digno ao RPG após os longos anos na universidade. A campanha promete e o ano com RPG também.
Sieg Heil!
Sieg Heil!
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Novo Tagmar, nova campanha, velha aventura...
Aventureiros,
No próximo sábado inicia-se uma nova campanha de Tagmar 2, intitulada "O Ascendente" (a belíssima ilustração de Keith Parkinson, reflete um pouco do clima que quero para a campanha).
A primeira aventura será a aventura básica do livro de Tagmar: "O casamento". Onde os personagens tem a honra de escoltar uma noiva, filha de um grande amigo, até a cidade vizinha (uma antiga tradição local).
É uma grande satisfação "remestrar" esta aventura, quase 10 anos depois em uma roupagem nova.
Abraços do feiticeiro Zargon
No próximo sábado inicia-se uma nova campanha de Tagmar 2, intitulada "O Ascendente" (a belíssima ilustração de Keith Parkinson, reflete um pouco do clima que quero para a campanha).
A primeira aventura será a aventura básica do livro de Tagmar: "O casamento". Onde os personagens tem a honra de escoltar uma noiva, filha de um grande amigo, até a cidade vizinha (uma antiga tradição local).
É uma grande satisfação "remestrar" esta aventura, quase 10 anos depois em uma roupagem nova.
Abraços do feiticeiro Zargon